sábado, 15 de abril de 2017

Hard Time: há 20 anos O'Brien sofria em um dos melhores episódios de DS9

Miles: "Paguei bondade com sangue"

Os episódios onde o Chief O'Brien passa por grandes provações são um clássico de DS9. Foram tantas histórias que levaram nosso querido Miles a situações extremas que até mesmo um nome para esse tipo de episódio foi criado, sendo conhecidos como "O'Brien must suffer!" (O'Brien deve sofrer).

Há exatos 20 anos, em 15 de abril de 1996, estreava Hard Time. Este é um dos meus episódios favoritos, não só de DS9, mas de toda a franquia Star Trek. É uma história poderosa, sobre a força das memórias em nossas vidas, sobre como a soma das nossas experiências constrói aquilo que somos. 

Na primeira cena vemos um Miles O'Brien envelhecido e maltrapilho, desenhando formas geométricas no chão de uma cela. Está sendo libertado após cumprir longa pena. "Eu não posso ir. Para onde eu iria?", questiona confuso. Na cena seguinte vemos O'Brien, ladeado pela major Kira, ser despertado após um tipo de procedimento. De fato, ele não cumpriu nenhuma pena. Experimentou uma realidade artificial, que implantou memórias de 20 anos no cárcere em sua mente. 

Miles desenha eseekas

Tudo começou quando em uma visita ao mundo dos argrathi Miles foi tido como um espião e condenado por espionagem. O sistema judicial do planeta não encarcera verdadeiramente os criminosos, mas incute em suas mentes as memórias de anos e anos na prisão, em apenas algumas horas. 

Hábitos podem se arraigar profundamente. No primeiro jantar em família após a "prisão", Miles, de maneira autômata, começar a guardar comida em um guardanapo, devido a escassez de alimentação que experimentou no cárcere. Igualmente, Keiko ao acordar no meio da noite e não encontrar o marido na cama acaba por descobri-lo deitado no chão, maneira que dormiu nos últimos 20 anos de sua memória.

Ee'Char

O'Brien tinha um companheiro de cela chamado Ee'Char, e começa a vê-lo pela estação. Este amigo foi a única companhia que teve em 20 anos. Foi a pessoa que lhe ensinou a fazer "eseekas", as formas geométricas que vemos Miles desenhando no início do episódio, como forma de limpar a mente. Porém, Miles não está conseguindo se readaptar à vida na estação. O sofrimento da cela ainda continua. Acaba por brigar com seu grande amigo Bashir, agride Quark, descontrola-se com Molly e recusa-se a visitar um conselheiro. Então ele conversa com Ee'Char, que está apenas dentro de sua cabeça, como um resquício das memórias da prisão. Ee'Char, que funciona como a representação do seu inconsciente, tenta ajudá-lo, tenta mostrar que Miles não está bem. A questão é que O'Brien matou seu companheiro de cela ao avaliar equivocadamente que ele escondia comida para si. "Paguei bondade com sangue", ele diz. 

O'Brien deseja morrer

Não suportando mais a pressão do retorno à vida na estação Miles O'Brien decide se matar com um fêiser. Uma das cenas mais sombrias de toda a franquia Star Trek. Então Bashir chega e tenta dissuadi-lo, conversando. Miles conta a história de seu amigo Ee'Char. Por fim, a memória de Ee'Char se desvanece e O'Brien aceita a ajuda de Bashir no tratamento da depressão que o acomete. Sem dúvida, este episódio é muito triste e marca uma das maiores sofrências de O'Brien.




domingo, 9 de abril de 2017

Before and After: um dos melhores episódios de Voyager completa 20 anos

Neste dia, há 20 anos, estreava nos EUA Before and After (3x21, 09/04/1997), o primeiro episódio de um dos arcos mais interessantes de Star Trek: Voyager. Alguns meses depois, em novembro, a trilogia seria completada com o episódio duplo Year of Hell (4x08, 05/11/1997 e 4x09, 12/11/1997). 

Em Before and After, vemos Kes, no final de sua vida, sofrendo saltos temporais em direção ao passado. No entanto, na linha de tempo na qual ocorrem estas viagens no tempo, a Voyager enfrentou durante um ano os ataques do Império Krenin, perdendo importantes tripulantes como Janeway e B'Elanna. Isto fica claro desde as cenas iniciais, quando nos deparamos com um Doutor um pouco diferente, ostentando vasta cabeleira e sendo agora conhecido como Dr. Van Gogh.

Doutor: com nome e cabelos
Kes, ao mesmo tempo em que salta no tempo, perdeu sua memória quase completamente, e não lembra de ter uma filha e um neto, frutos do casamento com Tom Paris. Este relacionamento só é possível nesta linha de tempo, já que o verdadeiro amor de Paris era B'Elanna. Com a morte desta devido aos acontecimentos que serão mostrados no episódio duplo Year of Hell, da próxima temporada, surge a relação com Kes. Já Andrew, seu neto, é filho de sua filha Linnis e Harry Kim. Ao mesmo tempo, podemos acompanhar com compaixão o estágio final da vida dos ocampas (espécie de Kes), onde ocorre rápido envelhecimento, conhecido como Morilogium.

Morilogium: a fase final da vida de um ocampa
Escrito por Kenneth Biller, responsável por mais de 30 roteiros de Voyager, o episódio guarda semelhanças com Parallels, de TNG, escrito por Brannon Braga, e que mostra Worf transitando por diferentes realidades paralelas. A estrutura, na qual o personagem que se desloca (no tempo, no caso de Kes), tem consciência das alterações ao redor as quais ninguém percebe e precisa convencer os outros sobre o que está acontecendo é idêntica. Contudo, em Before and After, a história serve de prenúncio para outros dois episódios que exploram a espécie Krenin.

Before and After e Parallels: estruturas semelhantes

Apesar de podermos considerar que os três episódios formam um arco, alguns problemas podem ser apontados nisto, pois existe falta de continuidade entre o Before and After e Year of Hell. O motivo para Kes experimentar os saltos temporais em direção ao passado é a contaminação que sofreu durante os ataques dos Krenin com seus torpedos cronitônicos, capazes de atravessar os escudos da nave por estarem em fluxo temporal. 

Year of Hell: continuação de Before and After

A partir desta descoberta, Kes trabalha com o restante da equipe da Voyager para eliminar os cronitons de seu organismo e assim deixar de viajar no tempo. Como consequência, Kes informa Janeway sobre o perigo de enfrentar os Krenin seis meses no futuro. Assim que consegue uma cura, Tuvok sugere que Kes faça um relatório explicando tudo que sabe a respeito dos Krenin. Portanto, a tripulação da Voyager, além de já conhecer a civilização Krenin também conhecia a frequência de 1,47 millissegundos dos torpedos, embora em Year of Hell ela será novamente descoberta pro Seven of Nine. Evidentemente, sempre se poderá alegar que as duas histórias transcorrem em linhas de tempo diferentes. Do ponto de vista da produção, a principal razão para estes problemas está na ausência de Kes nos episódios 2 e 3 do arco, pois a atriz Jennifer Lien havia saído de Voyager no início da quarta temporada.

Kes em sua jornada em direção ao nada

Before and After é um dos melhores episódios de Voyager e traz várias questões importantes, como  a discussão sobre a velhice e o fim da vida. A falta de memória de Kes, que não reconhece seus entes amados, faz referência ao mal de Alzheimer, que acomete muitas pessoas idosas. O episódio também mostra uma das mais belas cenas da história de Star Trek, quando Kes retrocede tanto no tempo que vemos o momento de seu nascimento e em seguida tornar-se um feto, algumas células, uma única célula e, por fim, o nada. Sem dúvida, um grande momento de Voyager, que completa 20 anos hoje. Que Star Trek: Discovery possa criar cenas incríveis como estas, que, literalmente, sobrevivem ao tempo.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

5 de abril: Dia do Primeiro Contato



Hoje é o dia em que todos os trekkers da galáxia celebram o Dia do Primeiro Contato. A data comemora o primeiro contato entre humanos e vulcanos, evento mostrado no filme Star Trek: First Contact (1996). 

No dia 5 de abril de 2063, Zefram Cochrane realizou um voo experimental com a Phoenix, a primeira espaçonave a atingir a velocidade de dobra, chamando a atenção de uma nave vulcana que conduzia pesquisas nas imediações do sistema solar. Assim, os vulcanos decidem aportar no planeta Terra, ocorrendo o contato inicial entre as duas espécies, fato que se situa nas origens da Frota Estelar e da Federação dos Planetas Unidos. 

O blog deseja um Feliz Dia do Primeiro Contato a todos, com votos de que a mensagem de esperança de Star Trek continue inspirando vossos corações e mentes.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Martin-Green fala sobre as novas perspectivas de Star Trek: Discovery

Sonequa Martin-Green será a Primeira Oficial Michael Burnham
Com informações de trekcore.com

Após ser nomeada pela CBS como a protagonista de Star Trek: Discovery, a atriz Sonequa Martin-Green compartilhou seus pensamentos sobre o papel de Michael Burnham. Confira alguns trechos da fala da atriz para a Vulture.

Martin-Green falou sobre sua série predileta dentro do universo de Star Trek:

Eu amo a série original. É a minha favorita de todas elas e eu adoro a dinâmica entre Kirk e Spock. Todos os personagens do programa tinham relacionamentos ricos.

Além disso, a atriz destacou a novidade da série partir do ponto de vista de uma primeira oficial:

Ser a primeira oficial da nave vai ser incrível pois não vimos isso acontecer antes no cânone de Star Trek, não vimos a história ser contada a partir da perspectiva do primeiro oficial. Vai abrir tanto potencial para novas histórias, porque não ser o capitão automaticamente lhe dá uma perspectiva diferente. Estou realmente animada.

E refletiu sobre a grande responsabilidade que estar em uma nova série de Star Trek lhe traz:

Definitivamente, há muita responsabilidade em liderar qualquer show e, obviamente, ser a liderança disso, de uma das mais populares, se não a mais popular série de TV de todos os tempos, você certamente pode se perder nisso se você se permitir. Isso é real? Oh, meu Deus... Espero que eu possa suportar o peso deste legado e desta história, porque eu quero fazer jus a eles. 

Ao despedir-se de TWD Sonequa fez o LLAP


Os membros do elenco já anunciados para Discovery incluem Jason Isaacs (Capitão Lorca), Michelle Yeoh (Capitã Georgiou), Chris Obi (T'Kuvma), Doug Jones (Ten. Saru), James Frain (Sarek), Shazad Latif (Kol), Anthony Rapp (Ten. Stamets), Sam Vartholomeos (Alferes Connor), Mary Wiseman (Cadete Tilly) e Mary Chieffo (L'Rell).

Star Trek: Discovery está sendo filmada em Toronto e deverá estrear em setembro.

Gretchen Berg, Aaron Harberts, Rod Roddenberry, Trevor Roth, Heather Kadin e Alex Kurtzman são os produtores executivos da série. Nicholas Meyer e Kirsten Beyer estão servindo como roteiristas e produtores de consultoria.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sonequa Martin-Green é anunciada oficialmente em Star Trek: Discovery



Um dia após o último episódio da sétima temporada de The Walking Dead ir ao ar, Sonequa Martin-Green (Sasha) é anunciada como a protagonista de Star Trek Discovery.

Green fará a Primeira Oficial Michael Burnham. Como primeira polêmica, os fãs questionam se Michael pode ser usado como nome feminino, A princípio sim, vide o exemplo da atriz Michael Learned. Estamos monitorando se de fato o nome será este ou foi um erro da CBS.

No anúncio, a CBS afirmou que a atriz estava mudando de "walkers" para "klingons".

Em breve mais informações.

domingo, 2 de abril de 2017

The Tholian Web + Second Chances = Still Treads the Shadow | Star Trek Continues faz história em seu 8º episódio

SPOILER ALERT!



O objetivo deste post não é analisar o novo episódio de Star Trek Continues, pois você precisa vê-lo e tirar suas próprias conclusões. Contudo, devo dizer que Still Treads the Shadowo oitavo episódio da série produzida por fãs - mantém o alto nível que já nos acostumamos ver em Continues. 

Mas, como disse, minha intenção aqui não é analisar o novo episódio. Quero apenas conclamar a audiência trekker a prestigiar este grande conto de Star Trek.

E por que isto? Porque Star Trek Continues está fazendo história dentro do universo de Jornada nas Estrelas. É a websérie mais bem produzida feita por fãs até hoje. A qualidade está muito além dos efeitos especiais, figurinos e maquiagem. Ela está também no esmero e sofisticação dos roteiros, o que não foi diferente no caso de Stil Treads the Shadow. Nesse episódio em particular, Vic Mignogna (Kirk), em caracterização espantosa como um homem centenário, oferece ao público uma interpretação digna de um Emmy. É profundamente emocionante o personagem que ele cria, um capitão "abandonado" por seus comandados e suas reminiscências de dois séculos. 

Em Still Treads the Shadow, a história é ligada diretamente ao episódio The Tholian Web, da série original, a Enterprise volta a encontrar a USS Defiant, desta vez com um tripulante inusitado: uma réplica do capitão Kirk, com mais de 200 anos. O episódio espelha também Second Chances (TNG) onde William Riker encontra um duplo seu. Ou seja: corra agora e veja essa preciosidade!

Star Trek Continues raramente decepciona os fãs. Longa vida a seus realizadores.

Confira o episódio na íntegra no youtube ou vimeo.

sábado, 1 de abril de 2017

Harry Mudd vem aí! Rainn Wilson é escalado para Star Trek: Discovery

Com informações de TrekNews.net



O ator Rainn Wilson juntou-se ao elenco de Star Trek: Discovery e vai desempenhar um papel familiar aos fãs de longa data da franquia: Harry Mudd.

O personagem apareceu pela primeira vez na série original, no episódio "Mudd's Women" e mais tarde em "I, Mudd". Na série animada o personagem voltou a aparecer, no episódio "Mudd's Passion". O interpréte original de Harry Mudd foi o ator Roger C. Carmel.

Wilson é mais conhecido pelo seu papel como Dwight Schrute na série The Office. 

Os membros do elenco já anunciados para Discovery incluem Jason Isaacs (Capitão Lorca), Michelle Yeoh (Capitã Georgiou), Chris Obi (T'Kuvma), Sonequa Martin-Green (Ten. Comandante Rainsford), Doug Jones (Ten. Saru), James Frain (Sarek), Shazad Latif (Kol), Anthony Rapp (Ten. Stamets), Sam Vartholomeos (Alferes Connor), Mary Wiseman (Cadete Tilly) e Mary Chieffo (L'Rell).

Star Trek: Discovery está sendo filmada em Toronto e deverá estrear em setembro.

Gretchen Berg, Aaron Harberts, Rod Roddenberry, Trevor Roth, Heather Kadin e Alex Kurtzman são os produtores executivos da série. Nicholas Meyer e Kirsten Beyer estão servindo como roteiristas e produtores de consultoria.

terça-feira, 28 de março de 2017

[Exclusivo] Entrevista com Kevin C. Neece, autor de "O Evangelho Segundo Star Trek"


Kevin C. Neece
O autor e palestrante Kevin C. Neece é o criador do ambicioso projeto "The Gospel According to Star Trek" [O Evangelho Segundo Star Trek, em tradução livre], no qual pretende, em uma série de cinco livros, analisar as interlocuções entre Jornada nas Estrelas e o cristianismo. O primeiro livro, The Gospel According to Star Trek: The Original Crew, já foi publicado, e investiga estas interações na série original, na série animada, nos filmes com o elenco original e nos filmes da Kelvin timeline, incluindo Star Trek Beyond. O volume 2, dedicado à Nova Geração, deverá ser publicado ainda em 2017 ou no começo de 2018. Neece possui um blog onde escreve regularmente sobre estes temas. E no seu website, ao inscrever-se para receber sua newsletter, você ganhará gratuitamente uma cópia em pdf dos cinco primeiros capítulos do livro, que discutem a visão de mundo de Gene Roddenberry. Recomendamos! Afinal, se trata de uma abordagem bastante peculiar de Star Trek, que certamente deverá interessar aos fãs.

Confira a entrevista que o blog fez com o autor.

Para muitos fãs, Star Trek nos mostra um futuro onde a humanidade teria superado a necessidade de uma religião.  Qual a relação que você estabelece entre Star Trek e o cristianismo?

No futuro de Star Trek, a religião em grande parte caiu em desgraça na Terra, mas isso não quer dizer que não existe. Há algumas referências à religião humana, especialmente na série original, que ocasionalmente menciona que os seres humanos possuem "muitas crenças" de natureza espiritual ou religiosa. Naturalmente, existem também muitas religiões alienígenas - tanto as que são benéficas e respeitadas como as que são dominadoras e injustas. Uma vez que os aliens representam diferentes tipos de seres humanos em Star Trek, parece razoável concluir que Star Trek pode, através de culturas alienígenas, ilustrar os aspectos positivos e negativos da religião humana.

As conexões que vejo entre Star Trek e minha própria cosmovisão cristã têm em grande parte a ver com a paridade filosófica entre os dois. A maioria dos cristãos vê o humanismo de Star Trek e assume que ele deve ser anti-cristão. Embora seja verdade que Gene Roddenberry rejeitou sua formação cristã, foi a igreja de sua família que forneceu boa parte de sua formação moral, e o humanismo de Star Trek pode nos ajudar a ver a imagem de Deus na qual fomos criados e nos esforçamos para nos envolvermos mais com nossa própria humanidade.

Em Star Trek, as três grandes religiões monoteístas parecem não ter mais seguidores. Como é a fé dos personagens no futuro mostrado pela série?

Há muito pouca discussão sobre as associações religiosas de qualquer personagem humano de Star Trek, embora haja lampejos aqui e ali de influências cristãs ou judaicas. Um membro da tripulação da série original, em um episódio em particular, usa um bindi, possivelmente indicando que ela é hindu. Acho que a atitude de Star Trek em relação à religião em geral é melhor refletida nas palavras do capitão Jonathan Archer em um episódio de Enterprise: "Eu tento manter uma mente aberta".

Curiosamente, Spock, o mais popular (e alguns diriam mais central) personagem de Star Trek, também é um dos seus personagens mais religiosos. Sua devoção à Lógica é, verdadeiramente, uma disciplina espiritual que envolve meditação e ritual. A cultura vulcana tem (e parece ser governada por) uma classe sacerdotal e Spock é, em muitos aspectos, modelado conforme monges. Ele também é o único personagem central que parece ter definitivamente uma alma, como seu katra, ao qual seu pai se refere como seu "espírito vivo", devendo ser devolvido ao seu corpo em Star Trek III. Outros personagens como Kira, Chakotay e Worf têm crenças religiosas claras, enquanto Data prossegue sua própria jornada espiritual enquanto se desenvolve, referindo-se uma vez a ter tido uma "crise do espírito". Há muitos outros exemplos de personagens, sejam eles expressamente religiosos ou não, tendo crenças e práticas espirituais.

O Emissário: figura de Cristo

A série DS9 parece ser a que tem o tema religião mais presente, quase como aspecto central, por tratar da fé dos bajorianos e do Templo Celestial. Que diferenças e semelhanças você aponta entre o culto aos profetas e as religiões atuais, em especial o cristianismo?

A religião bajoriana é interessante porque é politeísta, tendo, nesse sentido, mais em comum com o hinduísmo que o cristianismo. Sua diáspora e a ocupação cardassiana também refletem a história judaica. Suas estruturas religiosas, por outro lado, são semelhantes à Igreja Católica e suas divisões internas me recordam a divisão Católica/Protestante. Onde mais se reflete o cristianismo, porém, está em seu Emissário, Benjamin Sisko, que se torna uma figura de Cristo muito intencional ao longo da série.

Isto não se destina, é claro, a pregar o evangelho, mas como as outras figuras não intencionais de Cristo em Star Trek (Spock e Data, mais notavelmente), a jornada de Sisko contém muitos paralelos com a cristologia e é surpreendentemente rica nesse aspecto. Eu estarei cobrindo isso em meu próximo livro sobre DS9, mas por enquanto seus leitores podem encontrar uma breve análise no meu arquivo de blog (http://www.kevincneece.com/benjamin-sisko-as-a-christ-figure.html).

Star Trek V é um filme muito criticado, embora seja um dos meus favoritos. Nele o tema da busca por Deus é um dos principais argumentos. Como você analisa esta história a partir de uma perspectiva cristã?

É estranho para mim que os seres humanos no filme identificam o planeta da entidade divina como "Éden", uma vez que o Éden era um lugar na Terra. É igualmente estranho para mim que qualquer um que acreditaria no Éden acreditaria que poderia encontrar Deus em um planeta, já que Deus nunca poderia ser tão contido. Concedido isto, as viagens para fora em Star Trek são frequentemente metáforas para viagens internas. Assim, poderíamos simplesmente olhar para ele de forma menos literal como uma jornada de fé.

No meu capítulo sobre Star Trek V no livro "Original Crew", eu me concentro principalmente na conversa que acontece no planeta entre Sybok, Kirk, Spock, McCoy e a entidade. Em particular, discuto como, cada vez que eles falam com a entidade, eles a avaliam contra um aspecto de Deus. Ele não deveria ser onisciente? Não deveria ser todo-poderoso? Não deveria ser amoroso? Cada vez que a entidade não corresponde, pode-se inferir que Deus, para ser Deus, deve satisfazer essas exigências. Assim, longe de uma declaração ateísta, o filme (como a série) envolve uma importante prática cristã chamada iconoclastia, a destruição de um deus falso. O Deus alternativo, que Kirk localiza no "coração humano", satisfaz essas exigências e é revelado nas Escrituras.

O falso deus de Star Trek V

Conheça mais sobre o trabalho de Kevin em seu website: http://kevincneece.com

[Exclusive] Interview with Kevin C. Neece, Author of "The Gospel According to Star Trek"

Kevin C. Neece
Author and speaker Kevin C. Neece is the creator of the ambitious project "The Gospel According to Star Trek", in which he intends, in a series of five books, to analyze the interlocutions between Star Trek and Christianity.

The first book, The Gospel According to Star Trek: The Original Crew, has already been published, and investigates these interactions in the Original Series, the Animated Series, and the original crew films, up to and including Star Trek Beyond. Volume 2, dedicated to the New Generation, is due to be published in late 2017 or early 2018.

Neece owns a blog where he writes regularly on these topics. And on his website, when you sign up to receive his newsletter, you will receive a free pdf of the first few chapters of the book, which discuss the worldview of Gene Roddenberry. We recommend! After all, this is a rather peculiar approach to Star Trek, which should certainly interest fans. 

Check out the interview. 

For many fans, Star Trek shows us a future where humanity would have overcome the need for a religion. What relationship do you establish between Star Trek and Christianity?

In Star Trek's future, religion has largely fallen out of favor on Earth, but that's not to say it doesn't exist. There are some references to human religion, especially in the Original Series, which occasionally mentions that humans hold "many beliefs" of a spiritual or religious nature. Of course, there are also many alien religions--both those that are beneficial and respected and those that are domineering and unjust. Since aliens stand in for different types of humans in Star Trek, it seems reasonable to conclude that Star Trek can, through alien cultures, illustrate both positive and negative aspects of human religion.

The connections I see between Star Trek and my own Christian worldview have largely to do with the philosophical parity between the two. Most Christians see Star Trek's humanism and assume it must be anti-Christian. While it's true that Gene Roddenberry rejected his Christian background, it was his family's church that provided much of his moral formation and the humanism of Star Trek can help us see the image of God in which we are created and strive to be more fully engaged with our own humanity.


In Star Trek, the three great monotheistic religions seem to have no followers. How is the faith of the characters in the future shown by the series?

There is very little discussion of the religious associations of any human Star Trek characters, though there are glimmers here and there of Christian or Jewish influences. One Original Series crew member in a particular episode even wears a bindi, possibly indicating that she is Hindu. I think Star Trek's attitude toward religion overall is best reflected in Captain Jonathan Archer's words in an episode of Enterprise, "I try to keep an open mind."

Interestingly, Star Trek's most popular (and some would say most central) character, Spock, is also one of its most religious. His devotion to Logic is truly a spiritual discipline that involves meditation and ritual. Vulcan culture has (and would seem to be ruled by) a priestly class and Spock is, in many ways, modeled after monks. He is also the only core character who seems to definitely have a soul, as his katra, to which his father refers as his "living spirit," must be returned to his body in Star Trek III. Other characters like Kira, Chakotay, and Worf have clear religious beliefs, while Data goes on his own spiritual journey as he develops, referring once to having had a "crisis of the spirit." There are many other examples of characters, whether they are expressly religious or not, having spiritual beliefs and practices.

The Emissary: Christ figure

The DS9 series seems to be the one that has the theme religion more present, almost like central aspect, to treat of the faith of the Bajorians and of the Celestial Temple. What differences and similarities do you point between the worship of Prophets and today's religions, especially Christianity?

The Bajoran religion is interesting in that it is polytheistic, having in that sense more in common with Hinduism that Christianity. Its diaspora and the Cardassian occupation also reflect Jewish history. Its religious structures, on the other hand, are similar to the Catholic church and its internal divisions recall for me Catholic/Protestant divide. Where it most reflects Christianity, though, is in its Emissary, Benjamin Sisko, who becomes a very intentional Christ figure over the course of the series. 

This is not intended, of course, to preach the gospel, but like the other unintentional Christ figures in Star Trek (Spock and Data, most notably), Sisko's journey contains many parallels with Christology and is surprisingly rich in that regard. I'll be covering this in my forthcoming book on DS9, but for now your readers can find a brief analysis on my blog archive (http://www.kevincneece.com/benjamin-sisko-as-a-christ-figure.html). 


Star Trek V is a highly criticized movie, although it is one of my favorites. In it the theme of the search for God is one of the main arguments. How do you analyze that story from a Christian perspective?

It's odd to me that humans in the film identify the god entity's planet as "Eden," since Eden was a place on Earth. It's equally odd to me than anyone who would believe in Eden would believe they could find God on a planet, since God could never be so contained. Granted, the outward journeys in Star Trek are often metaphors for inward journeys. So we could simply look at it less literally as a journey of faith.

In my chapter on Star Trek V in the Original Crew book, I primarily focus on the conversation that takes place on the planet between Sybok, Kirk, Spock, McCoy, and the entity. In particular, I discuss how each time they speak to the entity, they evaluate it against an aspect of God. Shouldn't he be all-knowing? Shouldn't he be all-powerful? Shouldn't he be loving? Each time the entity doesn't measure up, it can be inferred that God, to be God, must meet those requirements. So, far from an atheistic statement, the film (like the series) engages in an important Christian practice called iconoclasm, the tearing down of a false god. The alternative God, which Kirk locates in "the human heart," does meet those requirements and is revealed in Scripture.

A false god in Star Trek V

You can find out more about The Gospel According to Star Trek and book Kevin to speak on his website, http://kevincneece.com


domingo, 26 de março de 2017

Relembrando Leonard Nimoy no dia em que completaria 86 anos

Nimoy, imortalizado por Spock
Leonard Nimoy faleceu em fevereiro de 2015, vitimado por uma doença pulmonar. O mundo perdia o talento e a sensibilidade de um homem fascinante. Hoje, 26 de março de 2017, Nimoy completaria 86 anos. Para marcar a data, o blog relembra a trajetória do artista que deu vida a Spock, um dos personagens mais queridos por trekkers de todas as idades.

Casado por duas vezes, tendo dois filhos, Nimoy nasceu em Boston, no ano de 1931, no seio de uma família judaica de imigrantes ucranianos, e desde jovem demonstrou sua vocação para as artes, iniciando sua carreira no cinema em um filme de 1951 chamado "Queen of day", creditado como "Leonard Nemoy"

Daí em diante fez uma série de participações pequenas em muitas produções. Devido ao seu semblante exótico, muitos papéis étnicos lhe foram reservados: latino, nativo americano, italiano, foram alguns dos tipos encarnados por Nimoy no início de sua carreira. Como uma espécie de antecipação daquilo que estava por vir, em 1952 interpretou um alienígena no filme "Zombies of Stratosphere".

Foi como um russo, em um episódio da série The man from UNCLE, que contracenou pela primeira vez, em 1964, com o futuro colega de Jornada, William Shatner, do qual viria se tornar um grande amigo, sendo padrinho de seu casamento. Uma amizade que durou quase cinquenta anos, descrita por Shatner de forma tocante: "Até Leonard eu nunca soube realmente o que era ter um amigo", diz o velho capitão Kirk.

"Nemoy" em seu primeiro filme
Mas foi mesmo em Star Trek que Nimoy se imortalizou ao encarnar um dos personagens mais icônicos de todos os tempos: um alien de orelhas pontudas e seguidor da lógica chamado Spock. Nimoy, que era filho de um barbeiro, sempre contava que durante a década de 60, com o grande sucesso do personagem, o corte de cabelo mais pedido na barbearia do pai era o mesmo usado pelo vulcano.

Sem dúvida, Spock é o personagem mais popular de Star Trek até hoje. As orelhas, as sobrancelhas arqueadas, as expressões "fascinante" e "vida longa e próspera", o mind meld, o toque vulcano, e o gesto com as mãos para a saudação vulcana, aliados à interpretação precisa de Nimoy, transformaram o personagem num dos grandes ícones pop do século 20 e além. 

Spock não foi o primeiro alien que Nimoy interpretou
Sobre o gesto com as mãos para desejar "vida longa e próspera", Nimoy contava que sua origem estava no judaísmo, significando a letra hebraica Shin, que remete a Deus Todo Poderoso (El-Shaddai). Certa vez, quando pequeno, estava na sinagoga com seu pai, e num momento em que todos deveriam ficar com a cabeça abaixada, o pequeno Leonard ergueu os olhos curiosos e vislumbrou o rabino realizando aquele gesto enigmático. A imagem nunca mais saiu de sua cabeça, fazendo com que incorporasse, muitos anos depois, o gesto a seu personagem.

Ficou tão associado ao personagem que passou por crises, chegando a escrever um livro com o título de "Eu não sou Spock". Porém, mais tarde percebeu que estar tão intimamente ligado a Spock não era necessariamente uma coisa ruim e afirmou que se tivesse que escolher uma outra pessoa para ser o escolhido seria o vulcano.

Homem de múltiplos talentos
Afinal, foram Spock e Star Trek que proporcionaram a Nimoy ter uma carreira longa e próspera em meio às artes. Após o término do seriado na década de 60 e com os filmes derivados, nos anos 70, 80 e 90, Leonard transformou-se em diretor também. Além de dirigir dois filmes da franquia (Star Trek III e IV), Nimoy dirigiu outros filmes, inclusive um dos maiores sucessos da década de 80, o filme Três Solteirões e um Bebê. Além disso, ter encarnado Spock nunca o impediu de atuar como outros personagens em diversos filmes e séries ao longo de toda sua carreira.

Sendo um homem de rara sensibilidade, caracterizado por todos que o conheceram como doce e afável, Nimoy também se dedicou à poesia e à fotografia. Seus trabalhos nessas áreas são reconhecidamente de qualidade, agradando público e crítica, não pelo fato de serem obras do célebre Leonard Nimoy, mas por possuírem profundidade e excepcional valor estético.

Fotografia de "Shekhina", série fotográfica de Leonard Nimoy
É por essas e outras inumeráveis razões que Nimoy merece todas as homenagens e tributos quando na data de seu aniversário.

Recentemente, um grande tributo, em forma de filme, foi feito para homenagear Nimoy e Spock. Dirigido por seu filho, Adam Nimoy, o documentário For the Love of Spock é, talvez, a maior obra já feita para afirmar o amor que os fãs sentem por Nimoy e seu personagem inesquecível.

Leonard Nimoy foi um homem que viveu longamente e prosperou naquilo que amava fazer. Inspirou gerações e continua inspirando todos que sonham com um futuro melhor para a humanidade.

Trekkers, ou não, sentimos sua falta Leonard, e reverenciamos sua memória, que é imortal. Afinal, é como diz McCoy sobre Spock no final de Star Trek II: "He's not really dead, as long as we remember him".